ESPAÇO DO POVO - Ano II – Nº 026 – 27 de novembro de 2011
A LINHA DO TEMPO
Em nossa cidade as sementes do PT foram lançadas em 1995, pelo companheiro Antônio Lessa dos Santos, época em que se falar do PT por estas bandas, era o mesmo que falar do capeta. Quando a direita espalhava que se o PT ganhasse as eleições, as piscinas particulares seriam invadidas pelo povão. Imperava o terrorismo anti-socialista das forças conservadoras.
Pioneirismo legendário
Troca de comando
Em finais de 2006, Lessa não podendo continuar à frente do partido por força do estatuto, foi eleita nova direção. Os tempos eram outros. Lula governava e a imagem do PT mudara. Já não dava mais para a direita espalhar que o PT era terrorista. As coisas ficaram mais fáceis. Estruturamos o partido, montando sede no coração da cidade. Transformamos a Comissão Provisória em Diretório Municipal. Aumentamos o quadro social, com muitas e valiosas adesões. Elegemos presidentes do partido, em 2007 e 2009. O PT são-gonçalense passou a ser reconhecido, inclusive no âmbito estadual.
Conquistas e avanços
Participamos nas eleições de 2008. Partindo quase do zero, o PT conquistou 3.334 votos na eleição majoritária. Elegemos o primeiro vereador petista da cidade. Promovemos cursos de formação política. Praticamos a democracia interna, nos reunindo de portas abertas, todas as semanas. Conquistamos em 2010 expressivas votações na eleição de deputados. Passamos a publicar o boletim Espaço do Povo escrevendo, assim, nossa própria história. Nos últimos 54 meses, de forma ininterrupta, divulgamos nossas receitas e despesas. Nossas prestações de contas anuais, junto à Justiça Eleitoral, têm sido aprovadas sem ressalvas. Participamos de cursos, plenárias, seminários e congressos estaduais. Implantamos a instância da Juventude PT. Em 2012 implantaremos a Setorial das Mulheres e a de Combate ao Racismo. O PT também tem marcado constante presença nos momentos cívicos e sociais do município. Respeitamos os adversários. Não praticamos a velha forma local de fazer política. Tais ações têm contribuído para a afirmação da imagem do PT em nosso meio. Esta linha do tempo - nossa trajetória - revela que temos tudo para chegar à vitória nas eleições 2012. Mas, nada de sapatos altos. Ainda há muito por fazer! ●
REPETECO OU RENOVAÇÃO?
Estatísticas bem interpretadas costumam não enganar. Historicamente em nossa cidade, cerca da metade dos vereadores tem sido reeleita, apesar de todo mundo falar que pretende votar em um/a novo/a candidato/a para a Câmara. Pelas aparências os números indicam isto. Tanto que, segundo pesquisa recente, 77,5% dos eleitores consultados manifestaram intenção de votar em nomes novos para a Câmara e 22,5% nos antigos. Na primeira leitura fica parecendo que poderá acontecer uma reviravolta geral na Câmara. Grande engano! Façamos continhas. Tomemos como base de cálculo 17 mil votos válidos e suponhamos que os 13 atuais vereadores se candidatem à reeleição. Os mesmos iriam, assim, disputar cerca de 3.820 votos que, divididos igualmente entre eles, representariam a média de 294 votos para cada um. Agora, vamos para os novos candidatos. Pelo andar da carruagem, seguindo a tradição, deverão concorrer 75 novatos que irão disputar 13.200 votos. Em números redondos, feita a divisão, isto representará algo ao redor de 176 votos para cada um. Ou seja, a chance de um dos atuais vereadores se reeleger, é cerca de 67% maior do que a de um candidato novo. Dá, pois para entender a dificuldade de renovação expressiva da Câmara, quando 22,5% da população ainda pensam votar em candidatos antigos? Mas, como daqui até as eleições ainda irá correr muita água debaixo da ponte, pode ser que venha acontecer aqui, o que se viu em Conceição da Feira na eleição 2008 quando, apenas um vereador voltou para a Câmara. ●
RADIOGRAFIA DO ELEITORADO
Quem lida com política e não souber lidar com números, está mais por fora que umbigo de vedete. Não estamos aqui para ensinar o Pai-Nosso ao vigário. Nossos vigários conhecem – e muito bem – os nichos eleitorais de São Gonçalo. Tanto que sabem explorá-los de forma magnífica. Deixemos, pois, de lado os vigários que tudo sabem da missa e pensam que ensinando latim aos fiéis, os mesmos poderão virar pastores.
Informação honesta
Esse negócio de dizer que ninguém é Santa Luzia para dar luz a cegos, é conversa fiada da parte de quem gosta de esconder o jogo para se manter dominando os outros. As pessoas têm todo o direito à informação honesta. É por essa e outras que o PT entende que o conhecimento da realidade enriquece os cidadãos, levando-os a pensar e decidir de forma responsável. Por tal razão o PT repassa ao distinto público, alguns dados acerca do eleitorado municipal. Quem duvidar, porventura, dos números apresentados que percorra os caminhos que percorremos e faça suas contas. Se estivermos errados, que venha de lá.
Distribuição do eleitorado
Em números redondos, somos hoje 21.300 eleitores dos quais 10.100 (47,3%) estão na Zona Urbana (Sede) e 11.200 (52,7%) na Zona Rural. O grosso da Sede todo mundo sabe qual é. Ela é composta pelo centro da cidade, incluídos os bairros Murilo Leite e Boqueirão; pela área do Cruzeiro, Casas Populares e Cedro e pelos bairros João Durval, Sete Portas, Estádio, Santo Antônio, Gravatá e suas redondezas. Quanto à Zona Rural, divide-se em 6 áreas distintas. A região de Mercês com cerca de 1.700 votos (8%); a região de Afligidos com 1.100 votos (5,4%);a região do Areal com 400 votos (1,9%); a região de Santana com 1.100 votos (5,0%); a região da Boa Vista com 1.200 votos (5,6%) e a região BA-502 Norte (abrangendo da comunidade do Murici à do São João) com 5.700 votos (26,8%).
Magalhães
O Povoado de Magalhães, cantado em prosa e versos, como grande núcleo eleitoral está incluído na região BA-502 Norte sendo, de fato, muito importante, vez que seus 1.500 votos correspondem a 7,1% do total do município. Esclarecido? Que mais vocês gostariam de saber? Recente pesquisa nossa, para consumo interno, abrangeu 1% do eleitorado, índice que assegurou margem de erro, para mais ou para menos, inferior a 2%. Um doce para quem adivinhar os resultados. ●
MOQUEANDO O DOMINÓ
Outra? Só vive rezando.
Outro, noite-dia labutando.
Outro, na capital se tratando.
Outro? Está sempre viajando.
Outro? Meio que esmoreceu.
Outro? Desapareceu.
Outro? Morreu!
Sobraram o vice e eu.
São três os partidos da gema socialista de nossa cidade: PT, PSB e PCdoB. Até tempos não muito distantes, os mesmos não participavam do cenário político local, posto que declarar-se socialista soava quase como heresia, no contexto baiano, fortemente dominado pela direita. Os ventos democráticos trazidos pela Constituição Federal de 1988, ainda não tinham se feito sentir em nossas bandas. Era um típico comportamento da região nordestina, onde o ranço do coronelismo se agarrava com unhas e dentes, para manter sinecuras e privilégios.
Eleição 2004
Na eleição de 2004 a esquerda começou a marcar presença, quando PT e PSB apresentaram postulantes à prefeitura de São Gonçalo dos Campos. Os votos recebidos pelos dois partidos, somados, representaram apenas 1,7% dos votos válidos.
Eleição 2008
Depois vieram as eleições de 2008. Novamente PT e PSB postularam o governo municipal, com candidatos próprios, cujos votos recebidos, representaram 26,2% dos votos totais. Um significativo avanço contra as tradicionais forças hegemônicas locais, mas ainda insuficiente para se chegar ao poder. Na ocasião PV e PRB também resolveram concorrer ao governo municipal, apresentando cada qual, um candidato, cujos votos somados representaram 4,9% dos votos totais. O PCdoB naquele ano, de forma equivocada, resolvera se juntar a outros parceiros. Tal dispersão de esforços, por parte das forças que defendem mudança nos paradigmas da nossa política é, até certo ponto, compreensível. Suas várias representações políticas, sempre sufocadas, sabendo que as coisas irão mudar, mais dia, menos dia, têm tentado ser a bola da vez, competindo entre elas mesmas.
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