O CHORO É LIVRE – Que o atual sistema eleitoral deixa a desejar, disto ninguém duvida. Que os parlamentares federais, em sua maioria, não têm interesse em fazer mudanças no sistema, disto também ninguém duvida. Que existe (e tem que continuar existindo) a fidelidade partidária, todo mundo sabe. As regras estão aí, para conhecimento de todos. “Dura lex, sed lex”, diziam os romanos, referindo-se à dureza da lei. Cabe aos que vivem na política, conhecer as normas, os prazos, as exigências em vigor e se adaptar a elas. Deixar tudo para a última hora, ficar atirando contra tudo e contra todos, incensarem ora ao capeta, ora ao divino, nada adianta. Ao contrário. Na hora do “pega prá capar” esperam milagres que não acontecem. Como arautos das catástrofes restam-lhes apenas, o chiado surdo dos eternamente inconformados e a piedade cristã daqueles que consideram adversários. ●
A FÉ DE TOMÉ – Há pessoas, o que é bem humano, que só acreditam vendo. Por outro lado, outras há que acreditam sem ver. Na política, quando se trata de alianças e apoios, Tomés são a grande maioria. Gatos escaldados em cozinhas de outros tempos se arrepiam em ouvir falar de água fria. Ludibriados a mais não poder, perderam a boa-fé. Sabem, por intuição, que entre o céu e a terra há muito mais que urubus e aviões. Mesmo assim, só apostam nos urubus. Parece que adoram carniça. Como resultado, parcerias que venham a ser firmadas entre lideranças adversárias, despertam profundos sentimentos de desconfiança. Sem contar que entre os seguidores dos respectivos grupos, alguns torcem para que nada dê certo. Em tais casos, não se trata de fé. Falam mais alto, interesses pessoais que, no passado, foram contrariados. Há os que, nas idas e vindas estratégicas do tempestuoso mar da costura de alianças, apavoram-se. Que mesmo perante evidências se recusam a acreditar. Há também os que imaginam se tratar de uma jogada e que, acima de um e/ou do outro dos aliados, haja um senhor todo-poderoso que a eles esteja manobrando como se fossem marionetes. Apostariam num blefe. Mas, não têm (ainda) a coragem de pagar para ver. Coisas da política. ●
SAI DA MINHA ABA, SAI PRÁ LÁ! – Nas campanhas, antes do tempo certo, hipóteses, suposições, prognósticos e tudo mais que representa tentativas de se adivinhar o futuro, atormentam as cabeças pensantes das lideranças partidárias. Mais ainda. Frequentam o noticiário da mais potente emissora radiofônica da cidade: a Rádio-Peão. O que tem de madames Beatriz com suas bolas de cristal, não está no gibi. Conhecedoras de como funcionam as coisas, certas lideranças ficam assanhando a opinião pública, plantando notícias para negar, enfraquecer ou desestabilizar pressupostas alianças que não lhes sejam convenientes. Tratam-se, entretanto, de falsos búzios adivinhatórios. O babalorixá da política local é mestre em jogar tais búzios, atiçando a platéia a cobrar posicionamentos de quem permanece na sua. Fica chamando os outros para o ringue. Calma pessoal! A hora das porradas não é agora. E se, porventura ela chegar, será no tempo certo e na justa medida com que cada qual for tratado. Quem quiser adivinhar a hora, jogue seus búzios. O PT, respeitador de todos os santos e todos os orixás, com sensatez e sem falsa euforia, ante as artimanhas do momento político, não se deixará levar por fofocas ou emoções que prejudiquem vislumbrar o futuro com clareza. Aos que gostam de atrapalhar a vida dos outros, o PT e seus aliados cantam com Alexandre Pires: Sai da minha aba, sai prá lá... ●
ZÉ NETO EM VISITA A SÃO GONÇALO – O deputado estadual Zé Neto reuniu-se com a militância petista são-gonçalense dia 20 de outubro último. Na oportunidade, entre outros assuntos, confirmou que sua pré-candidatura à prefeitura de Feira de Santana se trata de projeto partidário, com vistas a estabelecer nossa hegemonia no se-gundo maior colégio eleitoral baiano. Completou dizendo que, com as vitórias do PT em Feira e Região em 2012, o partido estará fortalecido nas eleições estaduais de 2014, quando Jaques Wagner não mais poderá concorrer à re-eleição. Na oportunidade, Zé Neto reafirmou seu compromisso em ajudar a campanha petista para a prefeitura de São Gonçalo dos Campos. Nada mais justo. Será a reciprocidade aos 1.172 votos que lhe foram dados no município, na eleição 2010. Afora isto, registre-se que Zé Neto tem apoiado e incentivado de nosso boletim Espaço do Povo, desde sua primeira edição. ●
NEM TUDO QUE SE VÊ, SE FALA. NEM TUDO QUE SE PENSA, SE DIZ - O jogo político tem algo a ver com o futebol. Ambos têm muitos aficionados e exigem habilidade por parte dos jogadores. Na política, como no futebol, todo mundo dá palpite, discute a escalação das equipes e comenta o esquema tático. As torcidas ficam antenadas na expectativa do gol. Sempre com enorme ansiedade na disputa das jogadas, querendo garantir a vitória, se possível, um ano antes do fim do campeonato. Não se contentam em assistir ao jogo. Conforme seja o caso, xingam a mãe do juiz, chamam o bandeirinha de ladrão, vaiam os jogadores. E, pobres destes, quando se trata da política. Ouvem poucas e boas da galera que fica arquibancadas. Uns escutam: “Você não sabe que este cara sempre joga assim?”. Outros ouvem: “Se este cara ganhar vai te dar um pontapé na bunda”. Acontece que nem tudo o que se vê, se fala; nem tudo o que se pensa, se diz. Quem está na disputa, não chegou ali por acaso. No campo são sempre 11 jogadores de cada lado e a torcida não pode entrar no gramado. Aos que torcem, seja a favor, seja contra, resta cruzar os dedos para que seu time ganhe. Sem esquecer que, muitas vezes, o jogo poderá terminar empatado. ●
NA HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA – A titia, a vovó, a vizinha, as professoras, os comerciantes, a galera jovem, o pessoal da terceira idade, a turma do dominó, os feirantes, os políticos, a turma do bar de Corró, os plantadores de bananas, de mandioca e de cacau, todo mundo sabe quem tem tudo para ser o candidato a prefeito pelo PT, em São Gonçalo dos Campos. Não precisamos dizer o nome do santo porque ainda não é hora de se rezar a missa. Agora, tem uma coisa que todo mundo quer saber: quem será o candidato a vice-prefeito. Adiantamos que, ao contrário de como aconteceu na eleição de 2008, nossa chapa dos candidatos a prefeito e vice não será puro sangue. Isto quer dizer que o candidato a vice não sairá dos quadros do PT. E quem será o vice e qual o porquê da escolha? Explicamos. A candidatura ao cargo de vice-prefeito, em todas as instâncias, deve ser função de negociação política. Quando se fala em política está se falando em capacidade de aglutinação, em densidade eleitoral, em votos, coisas assim, representadas pelos que se fazem aliados na campanha. De formas que, na hora da onça beber água, o nome do candidato a vice deverá ser indicado por aquele for o mais pesado grupo político-eleitoral que marchar conosco na majoritária. Explicado? ●
JOGO DE CINTURA – Política exige estômago de avestruz, boca - pio e paciência. Muita paciência, lembrando sempre que a pressa é inimiga de perfeição. Perfeição lembra ideal e, se você aprendeu que o ideal é uma eterna busca, algo inalcançável, aprendeu também que não se deve gastar energia à toa. É o tal do jogo de cintura. O que se deve fazer é tentar chegar o mais próximo possível do ideal. Vamos trocar isso em miúdos. Suponhamos que uma cidade tenha 17 mil votos válidos. Qual seria o objetivo ideal de cada um dos seus candidatos a prefeito? Naturalmente seriam 100% dos votos válidos. Impossível. Por isso o objetivo deixa de ser a utopia, o puramente ideal. Quantos votos, portanto? 50% dos votos válidos mais 1. Ou seja, o sujeito sabe que se alcançar, no caso do nosso exemplo, 8.501 votos, sua vitória estará assegurada. Sejam quantos forem os concorrentes, seja quantos votos tiverem eles. Isto é o que importa. Sendo assim, os grupos políticos que disputam o pleito fazem suas contas, amparadas em pesquisas, para estabelecerem alianças que lhes assegurem chegar ao ponto mais alto do pódio. Naturalmente, ao serem feitas alianças, mais uma vez, os aliados abrirão mão, em parte, de seus respectivos ideais partidários. Isto os idealistas utópicos não entendem, quando resolvem entrar nas disputas democráticas, concorrendo por concorrer. Tal atitude, nos grandes colégios eleitorais onde há segundo turno, é estratégica e compreensível. Mas quando não há, como no caso de São Gonçalo dos Campos, seria um esforço infrutífero, repetição de filmes vistos em eleições passadas. ●
PESQUISAS - Pesquisas por mais favoráveis que sejam a um ou outro candidato, devem ser administradas com inteligência, sabendo sempre que elas não são ferramentas infalíveis e retratam estimativas de resultados em um determinado momento e contexto. A rádio Band News costuma dizer que em 20 minutos, tudo pode mudar. Imaginemos, então, quando faltam 10 meses para as eleições. Pé na estrada, pessoal! ●
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