A MÁQUINA E OS VAGÕES - Sacramentado pelo PSD, o novo partido que na Bahia tem a digital do vice-governador Otto Alencar, o prefeito Antônio Dessa, que não tinha espaço no partido pelo qual se elegeu (PMDB), deu um golpe de mestre. Ao apagar das luzes do prazo fatal para as inscrições partidárias manobrou, de forma hábil, para continuar com a caneta, a régua e o compasso do quadro político municipal. Os políticos em geral não querem largar o osso de jeito nenhum. Sarney é o maior exemplo vivo. O prefeito Antônio Dessa, entretanto, parece que irá contrariar a regra. Em um mundo político no qual a maioria dos partidos funciona como simples trampolim para mergulhar no poder (cadê a reforma política?), nada mais natural que o prefeito tenha arrastado para o PSD, 5 dos atuais 13 vereadores. Mais não debandaram porque o PSD ficaria muito “pesado”, reduzindo as chances de seus vereadores se reelegerem. Assim é que dois edis do PMDB (Gonçalo e Edmundo), um do PRP (Miro de Sinhá), um do PSC (Saturnino) e um do PP (Fal Bulê), migraram para o PSD, formando, acreditamos, a maior bancada parlamentar municipal na história da cidade, em tempos democráticos. Como, em paralelo, o prefeito também controla o PDT - a legenda dos vereadores Gui e Mascarenhas - passam a ser 7 os edis ligados ao prefeito, pelo umbigo. Não lhe será difícil, conseguir apoio de mais 2 ou 3. Isto significa segurança para ter suas contas aprovadas e, desta forma, contornado o caminho das pedras para qualquer candidatura sua lá na frente. O futuro a Deus pertence. É a força da máquina (executivo) puxando os vagões (legislativo). E, como os vagões desejam continuar sendo vagões, o melhor que podem fazer é continuar sendo rebocados pela máquina. Algo errado? Não. Nesta esculhambada política brasileira, todos sabem ser assim que as coisas funcionam. ●
E NÓS DO PT, COMO FICAMOS? - Ficamos como sempre estivemos. Combatendo o bom combate para chegar ao poder municipal. Com nossas próprias forças, agora aumentadas pela força de ex-adversários que ingressaram nas fileiras do partido. As pesquisas de intenção de voto revelaram - e continuarão confirmando - que despontamos como a alternativa com chances reais de vitória, entre aqueles que um dia esperam mudar o destino político de São Gonçalo dos Campos. Quem duvidar pesquise. ●
MALANDRAGEM – Tem gente que por um lado baixa o pau no PT e, pelo outro, elogia Lula. Não toca no nome de Dilma. Afinal, ninguém é besta para falar mal da mulher que, nos seus primeiros nove meses de governo, alcançou índice de aceitação maior que os Lula e FHC no mesmo período. Sabem a razão pela qual em nossas bandas falam mal do PT? Porque o PT para eles se constitui em uma ameaça real ao continuísmo. Porque sabem que, se o PT ganhar as eleições em nossa cidade, “adeus Irene”. Sabem que seus projetos de longo prazo, pessoais e sucessórios, irão para o espaço. Que quebraremos a espinha dorsal do poder e o jeito de se praticar a política. O que está em jogo não são apenas os mais de 130 milhões de quatro anos de governo; o que está em jogo não é quem será ou não, o prefeito. Esqueçam. O que está em jogo na próxima eleição municipal, é muito mais que isto. É a dominação política para garantir a continuação de projetos pessoais dos que se mantém na politica à custa do poder. Eles sabem que no PT a música é diferente, que não é assim que a banda toca. Por isso têm medo. Sabem que no PT os projetos são partidários. Nosso pré-candidato, Cacau do Vale, não pensa fazer do filho, seu sucessor. Aliás, Cacau sequer apóia a idéia de seu irmão, Bobô do Pioneiro, se candidatar a vereador. No PT reinam a democracia e a pluralidade. Por isso, para alguns, o PT não presta. Falar mal do PT é pura malandragem. ●
A LUTA CONTINUA - Pão, pão! Queijo, queijo! O PT é um partido de normas claras e públicas. Sempre marchamos na frente. A Comissão Executiva Nacional já agendou, tim-tim por tim-tim, os prazos para indicação, impugnação e aprovação das candi-daturas do PT às eleições de 2012. Está chegando a hora de botar nosso bloco na rua. A luta continua! ●
SOMOS DA PAZ – Já vivemos casos de companheiros que saíram e voltaram para nosso partido, bons petistas que reconheceram a importância em se militar no PT. Já tivemos casos de companheiros que foram para outros partidos e não mais voltaram. Viram que no PT, projetos pessoais não têm vez, que aqui os projetos são partidários e que quem assume funções seja como candidato, seja como gestor do partido, tem o compromisso de estar a serviço do PT e não de seus próprios interesses. Já acolhemos como filiados gente que, nos palanques da vida, fez campanha contra. Já acolhemos em nossas fileiras gente que tinha uma imagem completamente distorcida do PT. Já fomos alvo de ameaças físicas e verbais e quando seus praticantes resolveram ingressar em nosso partido, foram muito bem recebidos. Não tivemos na história local do PT, nenhum caso de impugnação ao nome de quem quer que seja. Todos devem ter a oportunidade de conhecer as entranhas do PT, seu funcionamento, seus propósitos e seus princípios. Todos são bem-vindos. Como filiados ou aliados. Somos democráticos até a alma. Não guardamos rancor de nada e de ninguém. Somos da paz. Agora, quem fala o que quer, lê o que não quer. ●
TEMPORADA DA CAÇA - Fora do tempo oficial para tanto, a verdade é que começou a temporada da caça aos votos. Entre os eleitores - não a maioria da população é verdade - há alguns especialistas em tirar proveito pessoal, pedindo dinheiro, pagamentos de contas, de medicamentos, de óculos, os escambáus. É só saberem que fulano é candidato a alguma coisa, que começa a romaria. Nem bem acorda, e o pobre do sujeito-candidato, tem gente na porta de sua casa, na moita, esperando para a conhecida “facada”. Os que querem disputar cargos públicos (pré-pré-candidatos) estão de cabeça quente, com os cabelos arrepiados. Não tem alisabel que resolva. Culpa do eleitor? Respondemos que não. Culpa de quem exerceu, anos a fio, esta prática corruptora das consciências. E, haja dinheiro! Pior de tudo é que os beneficiários só se lembram do favor recebido na última hora, antes do voto. Por isso, o pessoal mais esperto, para não dizer mais malandro, fica de banda, longe da cidade, só aparecendo com a mala preta na mão, na hora H. Vezes até, com notas de 50 reais cortadas ao meio que, no passado custaram multa para uns e perda do mandato para outros. Pena que o mandato tinha terminado. ●
REFRESCANDO A MEMÓRIA – Esta estória aconteceu no país do faz-de-conta, e qualquer semelhança com a vida real é simples coincidência. O pobre do sujeito estrebuchou-se todo, numa campanha para vereador pelo partido que havia elegido o presidente da república e o governador do estado. Praticou a boa política, seguiu o catecismo da sua legenda, não pagou rodadas de cerveja, remédios, conta de água ou luz, nadinha de nada. Não era o melhor dos candidatos a vereador, mas por certo, não era o pior. Tinha alguns defeitos políticos. Não era filho da terra e, portanto não tinha irmãos, cunhados, primos, compadres para pedir votos. Também não era popular, do tipo nóis vai e que força sua personalidade para fazer graça. Dias antes da eleição o cacique-mór telefonou para o candidato, dizendo que precisava falar com ele. Este, como bom democrata, a tanto se dispôs. Conversa vai, conversa vem - isto deve ter acontecido no tempo das Mamonas Assassinas, pois a conversa foi a bordo de uma Brasília amarela - e o cacique abriu o jogo. Disse da sua admiração pelo candidato, disse que seria uma pena que ele não se elegesse, mas que isto estava muito difícil. Que, na sede da cidadezinha do faz-de-conta, o candidato estava muito bem cotado, mas que na zona rural, seu nome não pontuava. Que a sede sozinha, não elegia ninguém. Sabia das coisas. Ofereceu-se então a conseguir mais 200 votos na roça, garantindo desta forma a eleição do candidato. Nada pediu em troca. Queria, apenas, santinhos para fazer o trabalho. Ah! Quantos e quantos gostariam de estar na pele do convidado naquela hora. Se não tivessem santinhos so-brando, iriam logo mandar produzir tantos mil quantos fossem necessários. Já pensaram? O poderoso chefão se dispondo a cabo eleitoral de um mísero mortal? Mas não foi isto que aconteceu. Sem vaidade, mas agradecido, o candidato fez uma contraproposta, que foi a de trocar os 200 votos prometidos, por um voto apenas, o voto do cacique. Se ele gostou ou não, não vem ao caso. O candidato não se elegeu, nem se arrependeu. Faria tudo novamente. O cacique, por outro lado, deve ter aprendido que na terra do faz-de-conta, nem todo mundo é venal, se rende ou se vende. ●
O JOGO DEVE SER JOGADO - Político é como jogador de futebol. Este quer conseguir o gol, iludindo o adversário com dribles inesperados. Da mesma forma, no jogo da política certo mistério e suspense são recursos que um líder lança mão para manter-se no poder. Não há por que ficar se emprenhando pelas orelhas, por qualquer declaração pública. É puro estresse! Entenderam? ●
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